Agência ECCLESIA
Tony Neves, em Portalegre e Castelo Branco‘Humanidade magnífica’ ou, em latim, ‘Magnifica humanitas’ – que nome tão feliz para a primeira encíclica do Papa Leão XIV que, como se esperava, é um documento social. A escolha do nome é sempre, para um Papa, um programa de missão. Leão XIII foi o ‘pai da doutrina social da Igreja (DSI)’ e, por isso, todos esperavam que Leão XIV refletisse e orientasse a Igreja nos novos tempos que hoje estão marcados pelo impacto da Inteligência Artificial (AI). E assim aconteceu…Desde a sua publicação, a 15 de maio, não pararam de chover reações vindas de todos os quadrantes. É claro que há quem a não aprecie, mas espantou-me a reação maioritariamente favorável quanto à oportunidade, ao conteúdo e às propostas que lança à Igreja e ao mundo.Li três vezes. Sublinhei. Tive a feliz oportunidade de falar sobre este documento em diversos ambientes, desde os media até encontros organizados em Moçambique e Angola. E confesso que quanto mais leio e mais debato, mais convicto fico acerca da importância do texto e do impacto que ele já vai tendo por esse mundo além.Nas próximas crónicas vou tentar fazer uma visita guiada à encíclica, tentando destacar as ideias e propostas que considero mais ousadas e, por isso mesmo, desafiantes. Começa assim o Papa: ‘Cada geração recebe em herança a tarefa de dar forma ao seu tempo: de fazer amadurecer a história como um lugar onde a dignidade de cada pessoa seja salvaguardada, a justiça promovida e a fraternidade possibilitada’ (nº1). Leão XIV presta a primeira homenagem a Leão XIII que, em 1891, publicou a ‘Rerum Novarum’ como resposta aos impactos da revolução industrial.
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